04jun11 - Psicologia no Cotidiano (por Graciele Locks)

03/06/2011 19:00

Graciele Locks – e-mail: psi.graciele@ig.com.br

Como conjugar a ditadura da felicidade e a saúde mental?

 

O profissional da psicologia povoa o imaginário social como representação para as ‘coisas de louco’ e transita nas visões fechadas e arcaicas do profissional que atende em um consultório, num divã e que se restringe e esse método para o tratamento. É importante ressaltar que essas possibilidades existem e são muito importantes em alguns casos, contudo não são as únicas formas de se tratar pessoas; e esta será minha seara neste texto.

Vivemos em uma sociedade que impõe a ditadura da felicidade. A tristeza, a ansiedade, a angústia dentre outras tantas mazelas humanas são vistas com maus olhos. Qualquer forma de sofrimento é crucificada e tem tentativas imperiosas de ser banida do convívio dos indivíduos, mas como se pode exterminar algo intrínseco a humanidade? 

Eis que surge o grande impasse, a inadequação destes sentimentos e seus excessos podem acarretar enfermidades que comprometam a vida de quem as possui. Faz-se necessário perceber que a ausência de maleabilidade ao lidar com os sentimentos, o desgaste emocional, abatimento, desânimo, ou o revés como a euforia sem explicação, ou ainda a presença de comportamentos que atrapalhem a rotina são características e sintomas que devem ser investigados e tratados.

Os medicamentos psicotrópicos são imprescindíveis para restabelecer a estabilidade emocional em alguns casos, entretanto é fundamental conhecer e tratar o que gera o problema; e não apenas medicar os sintomas, e é aqui que entra o psicólogo. As medicações trazem sim um alívio mais rápido aos sintomas, contudo, se não vierem acompanhadas da compreensão da pessoa acerca do que contribui para a produção destes sintomas, uma melhora efetiva em sua saúde mental é quase inviável. As medicações são como bengalas (se ao quebrar a perna você não se cuida e nem trata de seu problema, esperando que a bengala e seu apoio sejam suficientes para se reestruturar, o que acontece?) e é fundamental permitir-se ficar triste, sentir-se feliz e saber quando procurar ajuda.

 

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