05fev11 - Comunidade (por Munir Soares)

04/02/2011 21:20

 INSEGURANÇA E MEDO

“Naquele bairro afastado/onde em criança vivias/ a remoer melodias/ de uma ternura sem par. Passava todas as tardes/ um realejo risonho/ passava como num sonho/ um realejo a cantar...”.

Naquele bairro, não tão afastado, com uma população esquecida pelo poder público, e convivendo com as mazelas de um mundo dominado pelo poder nefasto e mortal das drogas, falar em realejo é candidatar-se a pagar o maior mico, literalmente. Dia ensolarado. Um jovem, sentado na soleira da porta, fita o horizonte, absorto, como quem procura um sentido para a vida. Uma moto roda em sua direção, cavalgada por dois rapazes. Um deles apeia, saca uma arma, e alveja, mortalmente, o garoto sentado. Decididamente, o som que se ouviu, não era de um realejo a cantar.

Aconteceu na Laguna, e era o terceiro homicídio em dois dias, e o quinto, no mês. São tantas as ocorrências policiais, que já tem veículo com a sirene rouca, de tanto ser acionada. Felizmente, a ação ágil, imediata e certeira das Policias Civil e Militar deteve quase todos os meliantes. Dos 16 envolvidos em assaltos, e assassinatos, violência com reféns, etc., apenas um estaria foragido, mas já devidamente, identificado. Em quase todos os casos, há envolvimento de adolescentes com drogas.

O paraíso está ameaçado. A outrora pacata Laguna está sendo corroída pelos vírus da violência, gerando um clima de medo e insegurança. Graças ao atendimento às crianças carentes, alimentação, creches, escolas, lazer, saúde, etc... A mendicância infantil, praticamente, sumiu das ruas. Paradoxalmente, aumentou o número de adultos e jovens, sem emprego, perambulando pelas ruas, pedindo comida ou dinheiro.

Assim, como tantas outras pessoas, eu tinha um “freguês”, que quando não estava trabalhando, passava lá em casa para recolher uns trocadinhos. Simpático, sorridente. Na terça-feira às 14 horas ele apareceu, batendo palmas, como sempre fazia. Eu não tinha nenhum dinheiro em casa. 

___ Volte mais tarde, gritei.

Dezessete horas. O rapaz retorna. Demorei a atendê-lo. Estava no banheiro. Sua reação foi inusitada e amedrontadora. Segundo testemunhas ele, olhando na direção de minha residência, vociferando todos os palavrões conhecidos, em altos brados, terminou seu ataque de ira, atirando uma pedra contra a casa. Depois sumiu. Ouvi tudo, pensando tratar-se de alguma discussão de rua. O vírus da violência que atacou Laguna é deveras contagioso. O que fazer? Por mais eficiente que seja a polícia não pode enfrentar o problema sozinha. Sem a parceria com a sociedade, e efetiva participação do poder público, vamos perder esta guerra. Poderíamos recriar os “Mutirões da Cidadania” com atuação nas cinco áreas de risco, prestando serviços e informações, contratando mão de obra ociosa e desqualificada para obras terceirizadas, além de ser fazer um check-up na população, separando o joio do trigo.

De nada adianta só falar em diminuição da maioridade penal. Os menores aliciados pelo tráfico de drogas são cada vez mais jovens: 15 e 14 anos. É dever do Estado criar mecanismos de integração social, principalmente, nessas áreas de risco, devolvendo-lhes a Esperança, e a alegria de viver.

 

A TERRINHA EM FOCO

 

ENXURRADA DE ENTULHOS

A foto de primeira página publicada pelo jornal “A Crítica” merecia o “Oscar” fotográfico. Retratou, fielmente, a praia do Mar-Grosso, coberta pelo entulho trazido pelas águas do Rio Tubarão. Sobre a menina, caminhando pelo por entre os troncos e galhos, falaremos mais tarde.

O fenômeno acontece quase todos os anos, e na mesma época. Autoridades nada fazem a não ser chorar e reclamar, após o fato acontecido. Lembro-me da primeira enxurrada, após a retificação do rio Tubarão. Lá se vão umas três décadas. Nossa praia foi transformada numa feira livre, laranjas, abóbora chuchu, melancia, tomate, etc... A partir de então, o tipo de entulho mudou. Não mais aguapés e sim troncos e galhos SECOS, serrados, fruto das destocas e queimadas feitos nos terrenos rio acima, e que ficam à espera da enchente do rio.

Sugestão: Criação da Guarda Ambiental da AMUREL, patrocinada pelos órgãos ambientais, e apoio financeiro dos municípios da região, com a missão específica de fiscalizar as propriedades rio acima, e multando proprietários que deixem troncos e galhos de árvores cortados, à mercê do tempo, esperando carona do rio. A enxurrada vai continuar, mas a quantidade de entulho irá diminuir.

O rio Tubarão nasce no município de Lauro Muller, percorre 120 km, passa por 20 municípios, e deságua na lagoa Santo Antônio dos Anjos, na Laguna.

Léo Filippi, companheiro de bate-papo, dono de memória fotográfica, teria reconhecido a menina da foto. A garotinha era sua parenta, residente em Lauro Müller, e havia encontrado, no meio daquele cipoal, o ursinho de pelúcia, que o rio havia carregado do quintal de sua casa há vários meses. Pelo menos, a menina ficou feliz, com a enxurrada.

 

NOVELA

A BR 101, trecho Tubarão/Laguna continua um caos. Morte e engarrafamento. Quando será, que os nossos vereadores, que trabalharam para eleger seus candidatos à Assembléia Legislativa, vão convocar seus eleitos, a liderarem um dia de paralisação, nesse trecho da BR 101? Alguém da Câmara tem “aquilo” roxo?

___ Uma das empresas do consórcio responsável pelo tal trecho da rodovia, não se chama “Araguaia”?

___ Pois é, tinha que virar novela...

 

PANTOMIMA LEGISLATIVA

 

UNHA E CARNE

Há muito, que o Renato (Checo) e o vereador Tono Laureano não se desgrudam. Checo é a sombra do Tono. Pau pra toda obra... Fiel. Confidente. Foi com surpresa, que ficamos sabendo, que a dupla estava-se divorciando. Vereador Tono (PMDB), antes de viajar para a Foz do Iguaçu (viagem de trabalho parlamentar) solicitara à presidente da Casa, Jussalva Mattos, que assinasse a exoneração do Checo. A pedido do chefe Tono, ele fora chutado de sua função de Assessor da Câmara? Renato confirmou tudo. Causas não reveladas. Com a volta do Tono da Foz do Iguaçu, tudo pode virar “cascata”...

 

MEIA VOLTA!

Radialista Celso Fernandes, também, fora exonerado de sua função de Assessor de Imprensa da Câmara. Parecia magoado, não com a demissão, mas com o rumo que as coisas tomaram. Esta semana teria sido chamado a retomar suas funções naquela Casa.

 

TRANQUILIDADE

Há mais de uma semana que não se fala em cassação na Casa do Povo!

 

PINDAÍBA 

Em 2010, aposentados e pensionistas contraíram dívidas (Empréstimos consignados e cartão de crédito) no valor de 26,8 bilhões de reais.

 

VOLTA ÀS AULAS

Crianças retornam aos bancos escolares. Pais atentos. Como anda o transporte escolar de seu filho?

___ Quem são estes vendedores, que se postam diante dos portões dos educandários? Não deveriam ser credenciados pela Direção da Escola? O perigo mora ao lado. Olho vivo.

 

DECÚBITO DORSAL

Antes da posse na Assembléia, um deputado, de primeiro mandato, bem votado na Laguna foi recepcionado com festa, numa residência de amigos, na praia do Mar-Grosso. Festa de arromba. Churrasco com carnes das melhores procedências. Bebidas com vários sotaques. Alguns se empapuçaram.

Um dos ilustres convidados, sentindo que a carraspana estava pra mais da conta, abandona o campo da lida, e leva o seu veículo em direção ao lar, sem ziguezaguear. Aciona o controle, coloca o carro na garagem, sai, e deita-se na grama, do lado de fora do prédio. Acordou sem ressaca, porem, sem escapar de uma multa aplicada pelo síndico: estacionar em local proibido.

___ Você não me reconheceu? 

___ Impossível, o senhor estava deitado em decúbito dorsal e com o rosto, na moita. Convenhamos, posição inadequada para um bêbado.

Baseado em fatos reais, Não me foi permitido revelar o nome do personagem principal. 

 

UMA QUESTÃO DE JURISDIÇÃO

Outro fato baseado em fatos reais, relatado por fontes fidedignas, e acima de qualquer suspeita. Todo sábado, Edésio Joaquim, o mais benquisto funcionário da 19ª SDR, passa com sua neta, no balneário de Itapirubá. Naquela semana não foi diferente. Edésio tomava suas louras, ao lado da piscina de plástico, da netinha, quando caiu de borco, e afogou-se nos 50 centímetros de água. Respiração boca-a-boca, gritaram todos. Surgiram duas moças, salva-vidas.

___ Uma questão de jurisdição, gritou alguém. O afogado está em território de Laguna, ou de Imbituba? Existe um litígio de fronteiras. A mocinha de Laguna era musculosa, sem atrativos femininos. A outra, da Zimba, era um mulheraço, morena, cheia de curvas. Edésio, fingindo, resolveu tirar proveito da situação.

Deu um espasmo violento, e arrastou a piscina para o território imbitubense. A respiração boca-a-boca foi de arrancar a língua, de tirar o fôlego. Edésio sobreviveu, mas voltou a desfalecer ao saber que a tal salva-vidas era uma conhecida “traveca” da região.

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