18jun11 - Comunidade (por Munir Soares)

17/06/2011 16:02

 O EXORCISMO

Um sucesso a 10ª Festa de Santo Onofre, realizada dia 11 de junho, no santuário do Dom Camilo (Bolão). Numa só noite, centenas de garrafas de bebidas foram consumidas em homenagem ao santo padroeiro dos pinguços. Além dos devotos habituais, muitos convidados, inclusive três padres, cuja missão era dar um toque de religiosidade àquele evento sacro-etílico. Salvar a alma, porque o corpo, já era...

Os festeiros, acatando proposição do Marcioly, relações públicas, e do marqueteiro “Pisco”, pretendem incluir a Festa de Santo Onofre no calendário turístico do município. Conforme determina a tradição local, toda festa religiosa distribui lembrancinhas. Este ano, a lembrança da festa de Santo Onofre é uma declaração de amor. Um copo de vidro, com a inscrição:

“Não bebo por tudo, nem bebo por nada. Bebo porque vejo no fundo do copo/ A imagem da mulher amada. E, seu eu não beber, ela morre afogada”. 

Com o passar das horas, após brindes e mais brindes, e loas ao santo padroeiro, muita gente foi ficando no maior foguete. “Checo,” parecia dominado por alguma possessão diabólica.

___ Padre, o nosso Relações Públicas está possuído pelo “capeta”. O senhor tem alguma reza forte, capaz de livrá-lo do mal?

___ Filho, o capeta só sai do corpo com exorcismo, disse o sacerdote, colocando sua indumentária apropriada, para o difícil mister de tirar diabo do corpo.

Uma luta entre o bem e o mal, céu e inferno. O paciente foi colocado entre círios ardentes e crucifixos. Orações poderosas foram entoadas. “Checo” reagiu ao sentir o friozinho da água benta aspergida sobre ele, agarrou a vela, e quase botou fogo na barbicha do padre. Tava ligadaço no “capeta”.

O religioso, jamais ouvira falar de uma bebida chamada “capeta,” e nem lhe explicaram, que a “doença espiritual” do “Checo” fora causada por doses infernais da referida beberagem. De qualquer maneira fora um porre dos diabos. “Checo” deverá ser punido, com base no estatuto da Irmandade de Santo Onofre. Beber sim, ficar bêbado, jamais.

 

QUANDO A DRAGA ERA UMA DROGA

A draga Cidasc II já começou a dragar o canal da lagoa Santo Antônio dos Anjos. Deveriam colocar uma placa com informações técnicas da obra: trecho a ser dragado. Profundidade final do canal. Previsão do término dos serviços. Custo, etc. Poder-se-ia constituir uma Comissão de Fiscalização, constituída por vereadores e representantes da Prefeitura, Capitania, ACIL, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, a fim de se evitar o que aconteceu nas Docas, na retificação do molhe sul, na BR 101, etc, etc. Já que o assunto é draga, conto-lhes o que aconteceu no tempo em que a draga holandesa operou no canal da barra.

Nos meses em que o vento nordeste, berra com mais vontade, e a maré baixa, o assoreamento da lagoa fica bem nítido. Enormes coroas (bancos de areia) vão obstruindo toda a área de navegação, deste a ponta da barra até a ponte da Cabeçuda.

Quando a draga holandesa chegou, as esperanças foram renovadas. Era uma embarcação grande, poderosa, com apetite de devorar centenas de toneladas de lama, por dia. Nem a mitológica “pedra,” da boca da barra, resistiria ao seu poder de sucção. Oportunidade de empregos. Muitos marinheiros se candidataram. Somente ele, foi contratado. Sua versatilidade, conforme currículo, causou boa impressão aos filhos da pátria de Maurício de Nassau. VAVÁ, nosso querido Vavá, (in memoriam) que, posteriormente, foi motorista do IBDF, assinou carteira como taifeiro (moço de convés), e ajudante de cozinha. O comandante Van Dick logo simpatizou com ele, alegre, contador de mil histórias e até, trabalhador. Era o marujo mais notado da tripulação, sua negra carapinha contrastava com a farta cabeleira loura dos demais tripulantes. Parecia uma Malzebier numa festa de Brahma chopp. Recebia em dólar. Bons tempos.

A draga sugava o material do canal, e o levava para fora da barra, até a Ilha dos Lobos, onde despejava todo o lamaçal. Com o tempo, Vavá, já conhecido na cidade, como o “Holandês Váva,” percebeu que os gringos estavam com safadeza e jogavam a carga, bem na entrada da barra. Ganhavam tempo e, praticamente, acabavam levando a mesma carga, várias vezes. Vavá irritou-se. Certo dia, o cozinheiro chefe ausentou-se. Vavá, em cerimônia simples, recebeu o chapéu de Mestre Cuca de bordo. O que os holandeses ignoravam é que ele era cozinheiro de apenas dois pratos: moqueca de bagre e camarão à baiana. Estréia do novo comandante, um holandês enorme, espadaúdo. Parecia um moinho de vento. Da língua portuguesa conhecia, apenas, a palavra “mulata”. Naquela tarde, o mar estava de ressaca. Ondas enormes. Por causa das condições climáticas, a draga precisava viajar para além da ilha. Vavá equilibrava-se nas panelas, para manter a dignidade, quando chegou o pedido do novo capitão do barco. Nosso cozinheiro atendeu pelo interfone.

___ Que deseja, senhor capitão?

___ Kon-Kon, disse o comandante, numa voz enrolada.

O holandês Váva não podia entregar o ouro, e perguntar o que significava “Kon-Kon”. Tinha amor próprio. Com o livro de receitas na mão, iniciou o preparo de sua “arte” culinária. Em vinte minutos o “Kon-Kon” foi servido. De longe, pela escotilha, Vavá ficou aguardando a reação. Alívio, com o polegar erguido, o Chefe fez sinal de positivo!

A droga de draga começou a pular sobre as ondas, como um cabrito. Da cabine de comando veio o grito, um urro, seguido de um baque surdo, como algo caindo ao mar, que paralisou a todos, principalmente, nosso cozinheiro. O Comandante vomitava sem parar, imitando a draga, jogava toda a carga n’água. A draga retornou imediatamente. Pelo rádio foi enviado um S.O.S. O capitão estava desidratado. Uma ambulância o aguardava no cais. Aberto inquérito. O cozinheiro Vavá foi ouvido.

___ O que foi servido ao Comandante?

___ O que ele pediu, “Kon-Kon”!

___ Como foi preparado o “Kon-Kon”?

___ Com muito carinho e mais, camarão cru, com casca. O conteúdo de um vidro de pimenta malagueta, duas pitadas de leite de magnésia (duas xícaras). Passado no liquidificador e fervido em óleo de oliva. Servido quentinho. Uma espécie de canja mais pastosa.

Dois dias depois, deram o desembarque ao Vavá. Culpa da Bíblia, que criou a Torre de  Babel, para dificultar a comunicação entre os povos. Como é que ele ia saber que o “Kon-Kon” era uma espécie de chá indicado aos marujos holandeses quando estão “mareados”?. Resumindo: ele queria um chá forte, para diminuir o enjoo. Erro na tradução do livro de receitas ou vingança do Vavá? Foi a última aventura marítima do Holandês VÁVA, naquela droga de draga.

Se o comandante da atual draga não fizer a coisa certa, “Kon-Kon” nele...

 

NOTAS DA TERRINHA

 

SANTO ANTÔNIO

Terminou a tradicional festa do padroeiro da Laguna. Como sempre, as atrações principais, foram: A noite da trasladação e as Trezenas. Presença espetacular de público.

___ “Lembrancinhas” – grande aceitação. Atrações musicais, no palco externo? 

___ Mantiveram aceso o clima da festa.

___ NÃO GOSTEI. Na trezena que assisti, o padre-orador, depois de uma longa e chata homilia, ainda retornou, para contar piadas. 

___ Outros, abusaram do microfone, quebrando a sequência de um ritual litúrgico sublime, eloquente, envolvente, quase divino da tradicional trezena, rezada em latim.

 

FASHION

Interesse feminino pelos modelitos das festeiras, outra tradição da festa do padroeiro.

 

NOVIDADE

Este ano, o espetáculo pirotécnico principal, aconteceu na lagoa Santo Antônio. Eu prefiro o tradicional. A rua Jerônimo Coelho lotada, o Santo entre a multidão e a Matriz, e o foguetório, envolvendo o tricentenário templo. Espetáculo faz a festa dos fotógrafos. Que tal construir no morro, uma rampa, para lançamento dos foguetes?

 

CASAMENTOS

No dia dos namorados, aos pés do santo padroeiro, foram realizados 13 casamentos. O 14º não aconteceu, pois o festeiro Edésio Joaquim fugiu com a noiva, na hora de ir pro altar.

 

Comparecimento de políticos - Menor que no ano anterior. Na trasladação e coquetel: Gov. Raimundo Colombo e Pedrinho Bittencourt. Deputados Motta, Ada e Dirce. Vereadores Tono Laureano, Everaldo dos Santos e Tanara Cidade (Secretária Mun.da Saúde). Sandro Cunha, Nelson Mattos. Casal Amin.

Procissão: prefeito Célio, vice-governador. Eduardo Moreira e Leodegar Tiscoski

 

GALO VELHO

Time retorna de uma vitoriosa excursão ao Rio de Janeiro. Destaque foi a goleada de 5x1 no time da “Vale” do Rio Doce. Com o Galo Velho é assim, até a “Vale” leva “ferro”.                                                                            No avião, na volta, Gil Ungaretti Neto tentava tirar uma soneca, mas o cidadão na poltrona de trás, falava mais alto que locutor esportivo, impedindo o cochilo. 

___ Comissária, não poderias solicitar ao cavalheiro que fale mais baixo?

___ O senhor sabe quem é ele? 

___ É o Mauro Galvão, famoso ex-jogador de futebol...

___ Pois eu sou jogador do Galo Velho, e continuo na ativa, disse Gil, mostrando na camiseta o escudo do “Galo”.                                                         

Coincidência ou não o Mauro Galvão ficou quieto. Às vezes vale a pena, cantar de galo.

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