Acidente com mineiros no Chile lembra tragédias ocorridas no Sul do estado

15/10/2010 18:56

 A exemplo do que ocorreu com os mineiros no Chile que ficaram 68 dias a mais de 622 metros de profundidade, nos leva a reflexão e lembranças de casos que ocorreram na região Sul de Santa Catarina, que explora carvão mineral e que já viveu momentos de apreensão e de tragédias. Na lembrança de muitas pessoas está o acidente que aconteceu em 1983 quando dois trabalhadores que estavam numa mina de carvão que desabou após uma explosão em Lauro Müller, acabaram morrendo. De acordo com as informações do Corpo de Bombeiros de Urussanga, que coordenou as operações de resgate, 27 mineiros estavam trabalhando no local quando ocorreu uma explosão e foram soterrados. Inicialmente, os bombeiros haviam informado que o número de pessoas feridas era de 37. Hoje, com tecnologia avançada, o Chile, com auxílio da Nasa, obteve sucesso e impediu que mais famílias convivessem com a dor do desaparecimento dos trabalhadores. Na época, os trabalhadores estavam a serviço da Carbonífera Catarinense, que explorava a mina. Os trabalhadores Laureci da Silva e Nivaldo Hoffmann, após o soterramento, continuavam presos e não realizaram contato com os bombeiros que trabalhavam no resgate. O acesso ao local onde os operários trabalhavam era difícil devido ao calor e falta de ventilação.  Vinte e cinco pessoas foram resgatadas com vida e em seguida encaminhadas para os hospitais da região. A maioria dos feridos sofreu escoriações devido à queda da galeria. 

Maior tragédia da mineração brasileira é cercada de mistério

Urussanga, em Santa Catarina, também convive com o passado da mineração. Lá moram viúvas e sobreviventes, como João e Sérgio. Hoje, a mina em que trabalhavam não funciona mais e apenas resta a lembrança da água que está contaminada por enxofre e sai direto da mina de carvão que não funciona mais. Há 26 anos, parte deste subsolo explodiu. Trinta e um mineiros morreram a 80 metros de profundidade, na maior tragédia da mineração brasileira. O caso ocorreu em 10 de setembro de 1984. João Batista Pereira lembra que perdeu 31 amigos  diz que “daquele tempo pra cá uma fita volta  em sua cabeça sentindo uma emoção muito grande. Naquele dia, João trabalhava a 70 metros do estrondo. “Os mineiros desciam uma rampa e baixavam oitenta metros. Um corredor os levava para as frentes de trabalho, os painéis. A 1200 metros da entrada ficava o painel seis. O desastre foi às 5h10min”, recorda. Também Sérgio Luiz Macari relembra dos acontecimentos. “Você sente aquela pressão no tímpano. O que a gente sentiu foi aquilo, muito forte, muito forte. Em seguida, cerca de 6, 7 segundos depois então um forte deslocamento de ar que jogou a gente contra a parede”, diz. Asfixia e queimaduras foram as causas da morte dos mineiros, segundo um relatório deste engenheiro. A razão exata da explosão ainda é um mistério. Grandes exaustores ventilam as minas para levar ar puro e expulsar metano, um gás inflamável, que se desprende naturalmente. “Houve falha de energia elétrica em diferentes momentos e por alguma razão em uma dessas falhas os ventiladores não foram religados pela empresa”, revelou o engenheiro da USP, Dorival Barreiros. “Para mim o mundo tinha acabado. Eu era uma pessoa risonha, eu achei que não ia rir mais. Acabou-se meu riso”, diz Maria de Fátima, viúva. Maria de Fátima perdeu o marido Aristides Goulart na explosão. Ele tinha apenas 26 anos. Luis Carlos Leopoldino é outra vitima. Ele deixou a mulher e o filho. Na época, uma criança de 4 anos. “Só me lembro que na época eu não pude ver o meu pai porque o caixão era lacrado”, conta. “Esse pessoal que esta ai, não morreu em vão. Eles foram heróis. Depois da explosão, a mineração passou a ser tratada com respeito. E outra coisa também: a segurança mudou”, diz Sérgio. Depois dessa tragédia, as minas de carvão foram modernizadas. Santa Catarina produz, hoje, dois milhões de toneladas de carvão, metade do que produzia na época do acidente. Treze minas funcionam no estado, nenhuma delas em Urussanga.

 

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