Editorial: O verdadeiro Tesouro do Vaticano aberto ao público

11/02/2011 19:30

 Quando se fala em Vaticano imediatamente se pensa nos tesouros artístico de valor incalculável que a séculos estão sob custódia dos papas, mas talvez o tesouro mais precioso seja aquele depositado no subsolo da sede da última monarquia absolutista da Europa, a Biblioteca Apostólica Vaticana. Até então inacessível aos turistas e restrita à pouquíssimos estudiosos, a biblioteca talvez seja o maior acervo do ocidente, com exemplares raríssimos, que agora, por iniciativa de Bento XVI, depois de alguns anos de reformas está aberta para um período de visitação pública. A exposição foi anunciada a poucos dias na sala Stampa Vaticana pelo Cardeal Rafaele Farina arquivista bibliotecário da Santa Sé e se realizará de dezembro do corrente até 31 de janeiro de 2011. Desde a fundação, em 1475 sob o reinado de Sisto IV, a biblioteca do Vaticano tornou-se mais que um repertório de títulos, um verdadeiro tesouro de inestimável valor pela preciosidade e raridade de seu acervo em franca expansão até os dias de hoje. Ali se encontram as coleções dos Duques de Urbino, da Rainha da Suécia, dos príncipes Borgheses, a Palatina de Heidelberg, a mais importante biblioteca do renascimento Alemão, doada ao Papa Paulo V pelo Duque Maximiliano I da Baviera, que no período da Segunda Grande Guerra despertou a cobiça de Adolf Hitler, que um dia pretendeu recuperar o acervo. Obras raras como a Divina Comédia de Dante, ilustrada por Botticelli, originais da Primeira Epístola de São Pedro e textos Tibetanos, filósofos gregos e romanos, encontram-se entre exemplares únicos no mundo que são cuidadosamente guardados pelos papas ao longo dos séculos. Na biblioteca Vaticana não há inferno, parece que as regras do Index Librorum Prohibitorum não atingiram os porões do Vaticano. Diversos autores estão presentes nas estantes, por menos católicos que sejam, existe uma espécie de “indulto intelectual”, que indulgencia automaticamente as obras que ali repousam. È claro que o maior repertório é religioso, exemplares raros de textos bíblicos, breviários e livros da cultura católica, adornados com ricas iluminuras compõem a maior parte do acervo. Contudo, pode se encontrar quase tudo que foi produzido intelectualmente no ocidente e muito do oriente entre as obras que guarnecem a biblioteca. A segurança do espaço também é algo que merece destaque. Um rígido controle de vigilância foi programado para reagir de imediato a qualquer distúrbio que possa por em risco o acervo, quer sejam invasores indesejados, quer sejam alterações atmosféricas, que eventualmente possam prejudicar o material fragilizado pela ação do tempo. A segurança dos espaços é absoluta, com vigilância feita por uma serie de câmeras e sensores, diretamente ligados com postos da Guarda Suíça, que em caso de problemas, facilita uma reação rápida e cirúrgica. O complexo da Biblioteca Apostólica Vaticana também possui suas escolas que formam especialistas para a manutenção e recuperação das obras em amplas oficinas que possuem tecnologia de ponta a serviço da cultura. Além de ser um centro de pesquisa sem igual, o espaço também se destaca pela grande produção cientifica na área da biblioteconomia. Enfim, a Biblioteca Apostólica Vaticana é, sem sombras de dúvidas, o maior tesouro encerrado nos muros do Vaticano, superando qualquer outro, um tesouro que extrapola os limites da religião. Trata-se, na verdade, de um patrimônio da própria Civilização Ocidental, que muito buscou na Igreja o ensinamento e a inspiração para a construção de sua identidade e de suas instituições.

Ruy Sampaio.

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