MENSAGEIROS DA ESPERANÇA E DAS POSSIBILIDADES

01/04/2011 17:40

 Barack e Michele Obama, em viagem ao Brasil, no último fim de semana, demonstraram ter plena consciência do que simbolizam e não perdem oportunidade de ampliação. Desde que conquistaram o até então inimaginável, são vistos pelo mundo como símbolo de esperança e possibilidades. Poucos apostavam que afrodescendentes seriam eleitos presidente e primeira dama dos Estados Unidos, país mais poderoso do mundo e que, até bem pouco tempo, negava às mulheres e homens negros direitos básicos, como o de votar.

Eles conseguiram por uma série de fatores, mas, principalmente, porque acreditaram, prepararam-se, pregaram a esperança e a possibilidade e perseveraram. O lema da vitoriosa campanha não poderia ser mais sugestivo e impulsionador: Yes, we can (sim, nós podemos). E não acontece tudo quando as pessoas não creem que possa acontecer.

Nos encontros com pobres e ricos, entre compromissos institucionais, cada qual, a seu modo, tratou de verbalizar o que representam.

Michele relatou a alunos, a maioria de escola pública, que teve uma infância sem muito dinheiro, mas que era cercada de amor pelos pais, que lhe ensinaram que o mais importante é uma boa educação. Disse ainda que “não importa quem você é ou de onde vem. Se estiver disposto a sonhar grande e se esforçar, tudo é possível”. Ou seja, reforçou a importância de se ter um projeto, das boas relações familiares, dos bons estudos e do esforço para a concretização.

É imensurável o efeito positivo destas palavras para a mudança de rumo na vida de uma criança ou de um (a) jovem, principalmente quando proferidas por uma mulher negra, que nasceu pobre, como a quase totalidade dos negros, e que desperta admiração em todo o mundo. Se ela pode e vem dizer que pode, então pode também para outras pessoas.      

Até então, para a maioria das crianças pobres, principalmente as negras, não podia. A referência, principalmente para as dos morros cariocas, era o inverso: são raros os homens e as mulheres negras que triunfam, a não ser no futebol ou na música. Mas estava ali, bem na frente delas, o maior símbolo das possibilidades, dizendo que é possível. Estava ali outra referência, outro paradigma. Michele Obama descortinou outra visão de futuro para aquelas crianças. Que nada turve e outros a alimentem e escancarem.  É lamentável que a grande mídia tenha enxergado apenas a elegância de seus vestidos.

Ao dirigir-se a uma plateia formada por jornalistas, artistas, políticos, empresários e outros, no teatro municipal do Rio de Janeiro, Obama manteve a tônica das mensagens e demonstrou que os Estados Unidos pretendem continuar sendo “o farol do mundo”. O hábil orador, dando mostra do conhecimento sobre a história do Brasil, fixou-se nos aspectos que representam esperança e possibilidades. 

Lembrou que, como os EUA, o Brasil foi colônia e ambos conquistaram a independência. Viveram e superaram a escravidão. Recordou que o Brasil sonhou e conquistou a democracia enquanto vivia uma ditadura. Mencionou que um retirante nordestino tornou-se Presidente da República. Adiu que a filha de imigrantes, presa por aquela ditadura, soube o que é a falta de liberdade e agora foi eleita nossa mandatária maior. Acrescentou que o futuro já chegou para o Brasil e os americanos querem avançar nas parcerias tratando os brasileiros como iguais. Acentuou que o livre comércio e a democracia são fundamentais para que mais brasileiros ascendam à prosperidade social. 

Precisava mais para inflar o nosso ego? É preciso operacionalizar. 

 

Professor Maurício da Silva

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